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Palheiro da Costa de Caparica

Palheiro na Costa de Caparica
Os Palheiros na Costa de Caparica fazem parte da história e cultura de Portugal.
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Os Palheiros são um tipo de construção primitiva, no domínio da arquitectura vernácula, que em tempos povoaram o litoral português, estando próximos do quase total desaparecimento.

Desde os finais do séc. XIX que os pescadores, as suas redes, barcos, casas, etc. eram identificados e se chamava a atenção para a sua importância. Investigadores de várias áreas científicas deles se davam conta, como Baldaque da Silva, Leite de Vasconcellos, Jaime Cortesão, Veiga de Oliveira, Fernando Galhano, Orlando Ribeiro e, fundamental para o assunto que aqui nos traz, Raquel Soeiro de Brito, autora da obra seminal “Palheiros de Mira” (2009) publicado pela primeira vez em 1960.

Ao mesmo tempo, nas artes, são inúmeras as pinturas, assim como referências literárias, tão explícitas e variadas como Raul Brandão, António Botto, Alves Redol ou José
Saramago.

Nos dias de hoje estamos perante uma evidência que qualquer pessoa pode testemunhar com os seus próprios olhos nos locais, ou através de uma busca rapidíssima na
Internet: existe realmente um contínuo deste tipo de edificações em toda a frente atlântica portuguesa, assim como nos estuários do Tejo e Sado, expressão das comunidades de pescadores que povoaram, e povoam, os areais.

No domínio da arquitectura, este tipo de edificações tem também despertado trabalhos do maior interesse, nomeadamente em torno da versão palafítica das aldeias  avieiras da Borda-d’água (Pedro Manuel dos Santos Lima Gaspar & João Palla, 2009) e que têm contribuído para a tipificação dos Palheiros, através por exemplo da intervenção dos Arquitectos Sem Fronteiras, na tentativa de encontrar modelos de requalificação dos Palheiros existentes ou mesmo de modelos para a construção de novas edificações que respeitem a identidade dos conjuntos já existentes.

Os Arquitectos Sem Fronteiras – Portugal já manifestaram o seu apoio aos proprietários dos Palheiros da Costa da Caparica para produzirem as orientações técnicas de
qualificação destes Palheiros, garantindo a preservação da sua identidade.

Os Palheiros como Património 

Por todas as razões que temos vindo a apresentar, podemos então concluir que os Palheiros constituem uma das formas de expressão da cultura dos pescadores, que
naturalmente se inscreve na cultura popular portuguesa.

Apesar da discriminação que todas as formas de cultura popular sofrem, especialmente comparadas com as suas congéneres eruditas, já não é polémico o reconhecimento do seu valor. Podemos encontrar isso na arte ou na ciência. Não é novidade.

É também pacífico que a par do valor histórico desses “objectos”, das casas, barcos, apetrechos de pesca, e outros (que a musealização criada em diversos locais, como por
exemplo Mira, vem confirmar), existe ainda um outro valor, que se acrescenta, e que é o valor social, identitário, de memória de uma comunidade.

O litoral sempre se constituiu numa convergência de povos, de contacto entre múltiplas comunidades. Foi assim no passado e continua a ser no presente. A pesca e a rede de comercialização do pescado é um exemplo dessa interacção. Mas a procura do litoral, especialmente a partir do século XX não teve tanto a ver com a pesca como com outros tipos de motivação, especialmente acompanhando a disseminação da praia como hábito individual e colectivo de lazer.

Na Costa da Caparica, os banhistas, os veraneantes, foram interlocutores e cúmplices dos pescadores desde muito cedo, havendo registos evidentes já no século XIX. partilhavam ou alugavam as casas dos pescadores, havendo igualmente registos de que construíam casas de madeira seguindo a tipologia arquitectónica das casas de pescadores. Podiam – e construíam também – outro tipo de casas, mas houve quem reproduzisse os Palheiros, partilhando a vivência dos pescadores nos areais, em vez de construir um “chalet” na vila.

Esta é uma outra realidade que temos de absorver. Os Palheiros inscrevem-se numa tipologia de edificação, não sendo por isso considerados como uma casa que tem de ter um proprietário que seja pescador. A questão da propriedade do palheiro não tem, por isso, qualquer relevo nesta discussão.

Se há um traço constante e identitário na Costa da Caparica é o isótopo dos pescadores, que tem também de ser compreendido integrando a sua relação com os outros
utilizadores do areal – os banhistas – com quem partilhavam uma relação particular com a natureza e também com a liberdade.

Penso que quase toda a gente que frequentou a Costa da Caparica, antes dos tractores entrarem na faina, ajudou os pescadores a puxarem as suas redes do mar, arrastando o saco prateado vibrante de peixe através do mar, até sair da espuma das ondas para o areal. Nada era mais natural para banhistas ou pescadores.

Nos dias de hoje, durante o verão, a Costa da Caparica é atravessada por centenas de milhares de pessoas que procuram as suas praias. O seu número cresceu com o fácil acesso das duas grandes cidades vizinhas: Almada e Lisboa, ao contrário do número e importância dos pescadores, que não cessam de diminuir.

A memória da Costa da Caparica é composta por todas estas vertentes. É este passado que lhe confere a sua identidade, a sua razão de existir. Os Palheiros são uma parte
fundamental dessa memória, dessa identidade e também dessa razão primordial, dessa narrativa ordenadora do território, quer no plano físico, quer também no plano imaterial, do simbólico ao saber, incluindo o de nós próprios.

Os Palheiros são património da Costa da Caparica, a sua explicação e também o símbolo da sua fundação. Mesmo sabendo que objectivamente estas edificações são relativamente recentes, na sua maioria das décadas de 40 e 50 do século XX e que hoje os seus proprietários não são pescadores.

Sabemos que estes Palheiros estavam implantados junto à Cova do Vapor, na Lisboa Praia. Devido aos avanços do mar, eles foram sendo transportados pelos 6 km de areal, um a um, sobre troncos de madeira e puxados primeiro por juntas de bois, alugadas na Charneca da Caparica e depois por um pequeno tractor. Este empreendimento foi contratado a um comerciante da Cova do Vapor, o Manuel da Fruta, cujos filhos são ainda testemunhos vivos, sendo um deles membro da Associação de Moradores.

Este pedaço de história da Costa da Caparica tem vivido numa situação de indefinição legal. Por um lado, são identificados e registados legalmente os seus proprietários, desde o início. Não há nenhuma ilegalidade. Por outro, devido à sua localização, vivem numa zona de indefinição, em que, ao contrário dos outros proprietários do país, não têm propriedade sobre o terreno.

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